-
O mito do verdadeiro eu
O que Fernando Pessoa e Nietzsche ensinam sobre o esforço de existir Talvez você se comporte de forma diferente dependendo de quem está à sua frente. Talvez releia textos antigos e tenha dificuldade em reconhecê-los como seus. Ou talvez já tenha experimentado o desconforto de perceber que diferentes versões de si desejam coisas incompatíveis entre si. A fadiga de ser alguém não se confunde com cansaço físico ou esgotamento psicológico. Trata-se de outra ordem de desgaste: o esforço contínuo de sustentar uma identidade minimamente estável diante de algo que, em si, não é estável. Há uma frase de Fernando Pessoa, assinada por Bernardo Soares, que condensa essa tensão com precisão…
-
O vazio que herdamos
Por que você não precisa fazer as pazes com sua criança interior. Existem dores que não surgem daquilo que aconteceu conosco, mas daquilo que nunca aconteceu. Como assim? Elas surgem daquele buraco dentro de você do qual emergem os medos mais inimagináveis. O tal vazio que produz compensações e mecanismos de defesa sem que sequer percebamos. Talvez você busque constância para compensar a imprevisibilidade com que percebeu a vida na infância. Talvez busque novidade, expansão e um otimismo exacerbado para compensar o aprisionamento mental, o medo da mediocridade, o tédio ou a falta de sentido. Ou, quem sabe, hiperproteção e apego excessivo para compensar o medo do abandono. Talvez tente…
-
O que sobra quando a tela se apaga?
Sobre o vazio, a identidade e o medo de ser comum. Quantas vezes você se sentiu falando com as paredes? Ou passou horas tentando escrever algo que queria compartilhar — algo que levou tempo para processar — apenas para ser ignorado? E, pior, quantas vezes olhou para o lado e viu alguém ganhar atenção imediata por uma dancinha qualquer, um gatinho fofo ou simplesmente por parecer mais interessante, mais bonito, mais desejável? Existe uma verdade na sua frustração, mas provavelmente não é a que você imagina. Você já deve ter ouvido que a carroça vazia faz mais barulho. Pois é. Para uma multidão barulhenta, o vazio costuma ser banal; mais…
-
A Armadilha de Ouro: Por que seu idealismo pode ser seu vazio?
Quantas vezes você venceu uma discussão com um amigo ou com seu parceiro ou uma situação de trabalho, mas saiu com uma sensação de derrota interna porque teve que trair uma parte de si para “jogar o jogo”? Como discutido no post anterior, nem sempre o vazio existencial vem da falta de uma bússola moral. Às vezes, ele nasce da nossa absoluta incapacidade de aplicá-la na vida concreta. Entre aquilo que nos falta e a nossa vontade, existe algo que é o verdadeiro motor do comportamento humano: a narrativa que criamos para nós mesmos. Por isso mesmo, o vazio pode surgir até para aqueles que preencheram o checklist do script…
-
O problema não é a falta de propósito: por que o vazio existencial é uma falha de integração?
A falha não está no que você acredita, mas na distância entre o ideal e o real. Imagine saber exatamente o que importa, e, ainda assim, ser incapaz de vivê-lo. Você já se sentiu como alguém que conhece todos os passos de uma dança, mas permanece congelado em um salão de baile onde todos os outros celebram? Você observa, imóvel, enquanto a música toca. Eventualmente, os outros saem, o salão se esvazia e você fica sozinho, acompanhado apenas pelos seus próprios ecos. Esse sentimento tem um nome: vazio existencial. Geralmente, dizem que ele nasce da falta de propósito. Mas, como a pessoa naquele salão, você não está necessariamente perdido. E…