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O que o silêncio do outro desperta em nós
Algumas pessoas não querem ser amadas. Querem apenas ser escolhidas. Poucas coisas são tão difíceis para o ser humano quanto a ausência de resposta. Uma mensagem sem retorno. Um convite ignorado. Um silêncio que se prolonga além do esperado. O vácuo do outro é um gatilho para o nosso próprio vazio. Embora exista o jargão de que “a ausência de resposta é uma resposta por si só”, essa resposta raramente se alinha aos nossos desejos. Como bons contadores de histórias, buscamos outras explicações que não o próprio silêncio. Preenchemos o vazio com hipóteses, interpretações e fantasias. Afinal, poucas coisas são mais desconfortáveis do que admitir que não sabemos. Pense na…
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O que sobra quando a tela se apaga?
Sobre o vazio, a identidade e o medo de ser comum. Quantas vezes você se sentiu falando com as paredes? Ou passou horas tentando escrever algo que queria compartilhar — algo que levou tempo para processar — apenas para ser ignorado? E, pior, quantas vezes olhou para o lado e viu alguém ganhar atenção imediata por uma dancinha qualquer, um gatinho fofo ou simplesmente por parecer mais interessante, mais bonito, mais desejável? Existe uma verdade na sua frustração, mas provavelmente não é a que você imagina. Você já deve ter ouvido que a carroça vazia faz mais barulho. Pois é. Para uma multidão barulhenta, o vazio costuma ser banal; mais…
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Ler O Idiota e me sentir como um
Spoiler: Esse texto é tão fragmentado, frustrante e arrastado quanto a minha experiência lendo O Idiota. A forma segue a sensação. Comecei a ler O Idiota com a expectativa de ser conduzida, mais uma vez, para dentro da mente humana como em Crime e Castigo, de ser arrastada por Dostoiévski para dentro do que há de mais obscuro e verdadeiro em nós. Mas o que encontrei foi uma narrativa confusa, desfragmentada, sem uma motivação clara de nenhum dos personagens, cenas carregadas de tensão mas desprovidas de direção. Por quase 40% do livro, fui eu quem se sentiu a idiota. A proposta de simular, por meio da forma, a própria confusão…
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Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski : uma resenha psicológica e filosófica
Este é o segundo livro da literatura russa que leio, e tanto Crime e Castigo quanto A Morte de Ivan Ilitch compartilham algo sensacional: a exposição crua e realista da hipocrisia social. Em particular, Dostoiévski faz isso de forma magistral, levando o leitor para dentro da mente de um criminoso que poderia ser visto como fruto de uma sociedade miserável, mas que, na verdade, é alguém com um certo niilismo, que se julga acima do bem e do mal. Vamos analisar essa rica obra. Aviso que terão spoilers. Se ainda não leu o livro, sugiro ler este artigo apenas após. Resumo da Obra Raskolnikov, após ser forçado a abandonar os…