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O mito do verdadeiro eu
O que Fernando Pessoa e Nietzsche ensinam sobre o esforço de existir Talvez você se comporte de forma diferente dependendo de quem está à sua frente. Talvez releia textos antigos e tenha dificuldade em reconhecê-los como seus. Ou talvez já tenha experimentado o desconforto de perceber que diferentes versões de si desejam coisas incompatíveis entre si. A fadiga de ser alguém não se confunde com cansaço físico ou esgotamento psicológico. Trata-se de outra ordem de desgaste: o esforço contínuo de sustentar uma identidade minimamente estável diante de algo que, em si, não é estável. Há uma frase de Fernando Pessoa, assinada por Bernardo Soares, que condensa essa tensão com precisão…
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O problema não é a falta de propósito: por que o vazio existencial é uma falha de integração?
A falha não está no que você acredita, mas na distância entre o ideal e o real. Imagine saber exatamente o que importa, e, ainda assim, ser incapaz de vivê-lo. Você já se sentiu como alguém que conhece todos os passos de uma dança, mas permanece congelado em um salão de baile onde todos os outros celebram? Você observa, imóvel, enquanto a música toca. Eventualmente, os outros saem, o salão se esvazia e você fica sozinho, acompanhado apenas pelos seus próprios ecos. Esse sentimento tem um nome: vazio existencial. Geralmente, dizem que ele nasce da falta de propósito. Mas, como a pessoa naquele salão, você não está necessariamente perdido. E…